GUNS N´ROSES -TURNÊ MUNDIAL 2026

Porto Alegre foi palco de estreia da última passagem da banda pelo Brasil.

O som ainda é o mesmo, os clássicos permanecem emocionando muito, mas, é possível perceber as marcas da passagem do tempo na voz, na postura, no fôlego, na forma como cada músico ocupa o palco.

Slash segue sendo a imagem definitiva de um dos maiores guitarristas que o mundo já conheceu. A cartola, os cachos caindo sobre o rosto, a Les Paul pendurada — tudo nele ainda tem um poder mágico de congelar uma multidão em reverência. E mesmo que algumas notas escapem aqui e ali, um pouco menos precisas do que as que guardamos na memória, sua presença continua colossal. Bem coisa de quem já não precisa mais provar técnica, por que se tornou símbolo.

Duff McKagan, que em outros tempos chegou a deixar a banda por problemas pessoais, agora é um dos que mais surpreende. O preparo físico do músico realmente impressiona, os backing vocals continuam sólidos e sua postura de palco transmite uma segurança que sustenta grande parte da apresentação. Ele certamente aprendeu, melhor do que ninguém, a receita para envelhecer dentro do rock sem perder a energia e a relevância.

Quando os músicos iniciam os primeiros acordes de Welcome to the Jungle, Sweet Child O’ Mine, November Rain ou Paradise City, o estádio deixa de ser apenas um lugar de apresentação e se converte em uma máquina do tempo. São lembranças de adolescência, amores, noites esperando o sucesso tocar no rádio, posters na parede, fitas VHS, coleções de revistas, sonhos antigos. Uma nostalgia quase tangível.

Talvez seja exatamente isso que explique a multidão que se reúne para ver o Guns N’ Roses em 2026: eles não esperam apenas assistir uma banda, mas, testemunhar a permanência de um pedaço da própria vida.

Porto Alegre reuniu milhares de pessoas, de idades diferentes, pelo mesmo motivo: ver de perto os artistas que criaram a e eternizaram a trilha sonora de gerações.

Embalados ao som da clássica November Rain, com Axl ao piano, uma multidão pode perceber que ainda que o tempo transforme todas as nossas memórias, algumas lendas, mesmo que mudadas, continuam capazes de fazer um estádio inteiro se sentir jovem outra vez.

Porto Alegre foi palco de estreia da passagem da turnê “Because What You Want and What You Get Are Two Completely Different Things”, do Guns N’ Roses, pelo Brasil.

Esse primeiro show movimentou mais de 25 mil fãs - muitos à carácter, usando camisetas e bandanas em homenagem a banda – ávidos para ver de perto as grandes lendas do hard rock mundial.

Para quem acompanha essa história desde o auge de Use Your Illusion, em 1993, houve também um componente profundamente humano: o confronto entre memória e tempo. Quem cresceu vendo Axl, Slash e Duff como figuras quase mitológicas, assistir o Guns em 2026 serviu para entender que, assim como nós, meros mortais, os ídolos também mudam.

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