MILTON NASCIMENTO - A ÚLTIMA SESSÃO DE MÚSICA

Bituca em emocionante apresentação de sua turnê de despedida dos palcos.

Prestes a completar 80 anos, Milton “Bituca” Nascimento se despede dos palcos com a turnê “A última sessão de Música”.

A apresentação, que aconteceu no último domingo, 21 de agosto, no Ginásio Gigantinho, reuniu mais de 4,5 mil fãs do músico, compositor e multi-instrumentista que se considera “o mais mineiro de todos os cariocas”.

Bituca nasceu em uma favela da Tijuca, Rio de Janeiro, filho da empregada doméstica Maria do Carmo do Nascimento, que foi abandonada grávida por seu primeiro namorado. Sua mãe faleceu antes mesmo dele completar 2 anos de vida e, já aos cuidados de sua avó materna, que também trabalhava como empregada doméstica e era viúva, foi entregue para o casal Lilia e Josino Campos, com a condição de que ela pudesse continuar vendo o neto e que o nome de sua mãe não fosse retirado de seu registro. Mudou-se com a nova família para “Três Pontas”, em Minas Gerais e o apelido “Bituca” veio ainda na infância, por causa do “bico” que ele fazia quando era contrariado.

Teve contato com a música por influência de Lilia, que havia estudado com Villa Lobos. Explorava sua voz desde muito pequeno e aos 4 anos de idade, foi presenteado com uma sanfona de dois baixos. Aos 13, começou a cantar em um grupo musical de baile.

Sua primeira canção, “Barulho de Trem” foi gravada em 1962 e nesta época, tocava em bailes com o grupo W’s Boys. Em seguida, mudou-se para Belo Horizonte, onde foi cursar Economia e passou a tocar em bares e clubes noturnos, compondo com ainda mais frequência.

Em 1966, escreveu “Canção do Sal” que foi gravada por Elis Regina e em 67, gravou seu primeiro álbum “Travessia”. A convite de Eumir Deodato gravou o LP “Courage”, nos Estados Unidos, contendo uma versão, em inglês, de “Travessia” (Bridges).

Na capital mineira, conheceu os irmãos Marilton, Lô e Márcio Borges e dos encontros na esquina das ruas Divinópolis com a Paraisópolis, no tradicional bairro de Santa Tereza, surgiram canções como “Cravo e Canela”, “Alunar”, “Para Lennon e Mccartney”, “Trem Azul”, “Nada Será Como Antes”, “Estrelas” e “Cais”. Juntaram-se ao grupo os músicos Tavinho Moura, Flávio Venturini, Beto Guedes, Fernando Brant e Toninho Horta e em 1972 foi lançado o LP Duplo “Clube da Esquina”.

Em 1975, projetou-se no mercado norte-americano com o disco “Native Dancer”, gravado em parceria com Wayne Shorter. Desta mesma época, destacam-se as canções “Maria Maria” (1978) e sua interpretação de “Coração de Estudante” de Wagner Tiso, música que se tornou um hino político no período das reivindicações por eleições diretas em 1984 e marcou o funeral de Tancredo Neves.

Ao longo de seis décadas de carreira e 42 discos lançados, foi indicado 9 vezes ao Grammy e premiado 5 vezes. Alcançou o status de artista mundialmente reconhecido, dividindo o palco e compondo em parceria com os maiores nomes da música nacional e internacional, entre eles: Tom Jobim, Elis Regina, Chico Buarque, Caetano Veloso, Gal Costa, Quincy Jones, Mercedes Sosa, James Taylor, Cat Stevens, Bjork, Duran Duran, Paul Simon e outros tantos.

Em sua vida pessoal, Milton teve um breve casamento, que foi anulado e vários relacionamentos casuais, optando por permanecer solteiro e se dedicar exclusivamente à carreira artística. Durante a apresentação de despedida dos palcos, fez questão de ressaltar que Elis Regina, a musa inspiradora de tantas de suas canções, foi o grande amor da sua vida.

Em 2005, Bituca conheceu seu único filho, um menino de 13 anos, de nome Agusto, que vivia com sua família em Juiz de Fora. Em 2016, a adoção do jovem foi oficializada e ele passou a assinar Augusto Kesrouani do Nascimento, mantendo o sobrenome de sua mãe e adicionando o de Milton.

E agora, após este breve relato da trajetória de um gigante da música popular brasileira, deixaremos vocês com os registros de uma noite de muita emoção, onde o público pode ouvir, pela última vez ao vivo, a voz e a poesia de Milton Nascimento, que, em suas próprias palavras, “se despede só dos palcos mesmo, da música jamais!”.

Imagens: Katia Farias e Lucas Nascimento - A retrateira Art

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